Não encontro conteúdos relevantes no youtube sobre esta experiência. Destas 3 drogas a que destoa é a cafeína, visto que mesmo ex-dependentes de álcool vão mostrar a sua chávena de café. Beber café é 100% associado a algo saudável, como se fosse a moeda inversa do álcool. Neste momento estou há 6 dias praticamente sem café e sem nicotina e 100% sem álcool. Das três, sem dúvida que a nicotina é há mais complicada a nível de cravings físicos e psicológicos. Sinto falta do café de manhã quando acordo. Só tenho tomado 1 café em momentos muito críticos como no trabalho em que estou mesmo KO e preciso de estar a funcionar. Hoje é domingo e não tomo, ontem também não. O problema de deixar café é que nos deixa - pelo menos a mim que bebia uns 5 por dia - algo disfuncionais. Mas o meu sono está a recuperar e em breve espero deixar de ter essa soneira e brain fog intensos.
Consigo encontrar conteúdos para cada uma destas drogas, mas não para pares e muito menos triplo quando se refere a deixar. Vou começar pela desvantagem de deixar as 3 ao mesmo tempo.
1- Só vejo uma: os cravings e withdrawals de todas atingem-nos ao mesmo tempo, o que pode deixar qualquer pessoa de rastos e eventualmente gerar um relapso de todas ao mesmo tempo. É só essa, nem considero o desconforto em si uma desvantagem e explico logo no primeiro ponto das...
Vantagens
- Se é um facto que os sintomas de privação de cada uma destas drogas são assustadores isolados e que as 3 juntas se tornam numa espécie de apocalipse, a verdade é que alguns dos efeitos se anulam ou confundem. Por exemplo, deixar o álcool dá insónias nos primeiros dias, mas deixar café e tabaco dá imenso sono. Mesmo que não se durma bem de noite, se há tempo, pode-se dormir sestas enormes. Deixar o álcool nos primeiros 2 ou 3 dias a mim dá-me uma grande ansiedade, especialmente o primeiro dia, o dia seguinte a ter bebido. É esta ansiedade gigante a razão número 1 para o loop de bebida diária... deixar de beber café e de fumar reduz drasticamente a ansiedade como um ansiolítico natural.
- Os benefícios são astronómicos: sim, os sintomas de privação acertam todos ao mesmo tempo, mas os benefícios também. Por exemplo, a poupança: não gasto mais em cerveja, vinho, cápsulas de café, café em cafés e maços de tabaco que valem ouro. Ao mesmo tempo. A minha conta de supermercado caiu a pique. São uns 15-20 euros a menos por dia para o nível a que estava a fumar, beber álcool e café. Todos os benefícios acumulam ao mesmo tempo: a pele fica melhor e mais hidratada de deixar de beber, mas também de deixar de fumar. A ansiedade do álcool desaparece ao mesmo tempo que os pulmões respiram melhor. Os dentes já não levam com café, tabaco e vinho tinto. O ritmo cardíaco de repouso cai a pique pois as 3 drogas aumentam-no. Todas estas 3 drogas dão cabo do sono, deixar as 3 é o caminho para dormir bem. E por aí fora.
- Pessoalmente nunca consegui deixar de fumar depois de deixar de beber. Tenho pensado nisso, porque é um padrão. Geralmente deixava de beber e mantinha o tabaco como uma espécie de compensação: "estou a portar-me bem, fumar ajuda-me, depois deixo de fumar". O problema é que nunca deixava, voltava sempre ao álcool ao fim de 1, 2 meses. Uma das razões é simples: deixar de beber faz-me sentir MUITO melhor. Se me estou a sentir muito melhor não tenho incentivo a deixar de fumar. Fumar é aquela droga que as pessoas podem consumir décadas, não dá rock bottoms claros como o álcool que nos leva ao inferno e aqueles momentos de "isto não pode continuar, é hoje". O tabaco não. Por isso é boa ideia aproveitar um rock bottom de álcool para fazer a mudança toda ao mesmo tempo.
- As 3 drogas estão profundamente ligadas. O ciclo é evidente. Acordo ansioso, cansadíssimo e ko de um serão regado a cervejas e vinho. Preciso de doses maciças de café para poder trabalhar (3 logo a acordar ou mesmo uma bebida energética). Logo aí fumo e bebo café em barda. Isto vai aumentar a ansiedade ainda mais até que no fim do dia preciso de me livrar dela e entra o álcool. O tabaco nisto é um parasita, quando bebo álcool o consumo de cigarros dispara. Às vezes acontecia-me fumar 1 maço em poucas horas à noite se estivesse a beber. Acho que se deixarmos apenas 1, ou 2 delas estamos a perpetuar triggers e a programar um relapso a breve trecho.
- Coerência. Não podemos ser 2 pessoas diferentes ao mesmo tempo. Se deixo de beber em parte pelos meus objetivos atléticos, porque me vejo como atleta e quero fazer coisas incríveis, então óbvio que continuar a fumar é uma forma de me dizer "não acreditas mesmo nisso". O caso é mais subtil para a cafeína, mas quero ser rigoroso: eu não quero deixar a cafeína a 100%. Quer consumi-la em momentos muito específicos e instrumentais, por exemplo, durante uma prova ou num momento crítico de trabalho. Ou seja, reduzi-la a uma espécie de "medicamento". Até porque sem tolerância a cafeína passa a ter um efeito 10x mais poderoso quando é mesmo necessária. No que respeita à coerência, a cafeína prejudica muito o sono, é um facto. Eu noto uma diferença enorme no sono profundo e sonhos.
- Elimina todas as drogas psicoativas e calibra os circuitos de dopamina. A ideia é eliminar picos de dopamina causados pela ingestão de substâncias. Eu vi bem pelo meu relapso descrito no ponto anterior, que eu tendo a reagir com um consumo "binge" de substâncias. Se não bebia álcool como era o caso e já ia quae em 60 dias, então vou beber imenso café e fumar imenso como forma de compensação para lidar com o momento presente, com sensações, emoções. Posso estar aborrecido ou inquieto e... vou beber um café. Isto é o mesmo princípio de estar aborrecido e... beber álcool. Não consumir qualquer substância psicoativa deixa de expor o meu cérebro a esse paliativo. Custa bastante às vezes, mas a minha aposta é que com o tempo passo a ser mais sensível a coisas como um passeio a pé, um snack, música, fazer qualquer útil, desporto, uma conversa com um amigo. Em vez de injetar uma droga direito ao cérebro que vai dar uma motivação ou alívio químico.
- É épico. Ninguém faz esta maluqueira extrema ou muito poucas pessoas e isso motiva-me.