sábado, 21 de fevereiro de 2026

Deixar álcool, nicotina e caféina ao mesmo tempo - vantagens

Não encontro conteúdos relevantes no youtube sobre esta experiência. Destas 3 drogas a que destoa é a cafeína, visto que mesmo ex-dependentes de álcool vão mostrar a sua chávena de café. Beber café é 100% associado a algo saudável, como se fosse a moeda inversa do álcool. Neste momento estou há 6 dias praticamente sem café e sem nicotina e 100% sem álcool. Das três, sem dúvida que a nicotina é há mais complicada a nível de cravings físicos e psicológicos. Sinto falta do café de manhã quando acordo. Só tenho tomado 1 café em momentos muito críticos como no trabalho em que estou mesmo KO e preciso de estar a funcionar. Hoje é domingo e não tomo, ontem também não. O problema de deixar café é que nos deixa - pelo menos a mim que bebia uns 5 por dia - algo disfuncionais. Mas o meu sono está a recuperar e em breve espero deixar de ter essa soneira e brain fog intensos.

Consigo encontrar conteúdos para cada uma destas drogas, mas não para pares e muito menos triplo quando se refere a deixar. Vou começar pela desvantagem de deixar as 3 ao mesmo tempo.

1- Só vejo uma: os cravings e withdrawals de todas atingem-nos ao mesmo tempo, o que pode deixar qualquer pessoa de rastos e eventualmente gerar um relapso de todas ao mesmo tempo. É só essa, nem considero o desconforto em si uma desvantagem e explico logo no primeiro ponto das...

Vantagens

  1. Se é um facto que os sintomas de privação de cada uma destas drogas são assustadores isolados e que as 3 juntas se tornam numa espécie de apocalipse, a verdade é que alguns dos efeitos se anulam ou confundem. Por exemplo, deixar o álcool dá insónias nos primeiros dias, mas deixar café e tabaco dá imenso sono. Mesmo que não se durma bem de noite, se há tempo, pode-se dormir sestas enormes. Deixar o álcool nos primeiros 2 ou 3 dias a mim dá-me uma grande ansiedade, especialmente o primeiro dia, o dia seguinte a ter bebido. É esta ansiedade gigante a razão número 1 para o loop de bebida diária... deixar de beber café e de fumar reduz drasticamente a ansiedade como um ansiolítico natural.
  2. Os benefícios são astronómicos: sim, os sintomas de privação acertam todos ao mesmo tempo, mas os benefícios também. Por exemplo, a poupança: não gasto mais em cerveja, vinho, cápsulas de café, café em cafés e maços de tabaco que valem ouro. Ao mesmo tempo. A minha conta de supermercado caiu a pique. São uns 15-20 euros a menos por dia para o nível a que estava a fumar, beber álcool e café. Todos os benefícios acumulam ao mesmo tempo: a pele fica melhor e mais hidratada de deixar de beber, mas também de deixar de fumar. A ansiedade do álcool desaparece ao mesmo tempo que os pulmões respiram melhor. Os dentes já não levam com café, tabaco e vinho tinto. O ritmo cardíaco de repouso cai a pique pois as 3 drogas aumentam-no. Todas estas 3 drogas dão cabo do sono, deixar as 3 é o caminho para dormir bem. E por aí fora.
  3. Pessoalmente nunca consegui deixar de fumar depois de deixar de beber. Tenho pensado nisso, porque é um padrão. Geralmente deixava de beber e mantinha o tabaco como uma espécie de compensação: "estou a portar-me bem, fumar ajuda-me, depois deixo de fumar". O problema é que nunca deixava, voltava sempre ao álcool ao fim de 1, 2 meses. Uma das razões é simples: deixar de beber faz-me sentir MUITO melhor. Se me estou a sentir muito melhor não tenho incentivo a deixar de fumar. Fumar é aquela droga que as pessoas podem consumir décadas, não dá rock bottoms claros como o álcool que nos leva ao inferno e aqueles momentos de "isto não pode continuar, é hoje". O tabaco não. Por isso é boa ideia aproveitar um rock bottom de álcool para fazer a mudança toda ao mesmo tempo.
  4. As 3 drogas estão profundamente ligadas. O ciclo é evidente. Acordo ansioso, cansadíssimo e ko de um serão regado a cervejas e vinho. Preciso de doses maciças de café para poder trabalhar (3 logo a acordar ou mesmo uma bebida energética). Logo aí fumo e bebo café em barda. Isto vai aumentar a ansiedade ainda mais até que no fim do dia preciso de me livrar dela e entra o álcool. O tabaco nisto é um parasita, quando bebo álcool o consumo de cigarros dispara. Às vezes acontecia-me fumar 1 maço em poucas horas à noite se estivesse a beber. Acho que se deixarmos apenas 1, ou 2 delas estamos a perpetuar triggers e a programar um relapso a breve trecho. 
  5. Coerência. Não podemos ser 2 pessoas diferentes ao mesmo tempo. Se deixo de beber em parte pelos meus objetivos atléticos, porque me vejo como atleta e quero fazer coisas incríveis, então óbvio que continuar a fumar é uma forma de me dizer "não acreditas mesmo nisso". O caso é mais subtil para a cafeína, mas quero ser rigoroso: eu não quero deixar a cafeína a 100%. Quer consumi-la em momentos muito específicos e instrumentais, por exemplo, durante uma prova ou num momento crítico de trabalho. Ou seja, reduzi-la a uma espécie de "medicamento". Até porque sem tolerância a cafeína passa a ter um efeito 10x mais poderoso quando é mesmo necessária. No que respeita à coerência, a cafeína prejudica muito o sono, é um facto. Eu noto uma diferença enorme no sono profundo e sonhos.
  6. Elimina todas as drogas psicoativas e calibra os circuitos de dopamina. A ideia é eliminar picos de dopamina causados pela ingestão de substâncias. Eu vi bem pelo meu relapso descrito no ponto anterior, que eu tendo a reagir com um consumo "binge" de substâncias. Se não bebia álcool como era o caso e já ia quae em 60 dias, então vou beber imenso café e fumar imenso como forma de compensação para lidar com o momento presente, com sensações, emoções. Posso estar aborrecido ou inquieto e... vou beber um café. Isto é o mesmo princípio de estar aborrecido e... beber álcool. Não consumir qualquer substância psicoativa deixa de expor o meu cérebro a esse paliativo. Custa bastante às vezes, mas a minha aposta é que com o tempo passo a ser mais sensível a coisas como um passeio a pé, um snack, música, fazer qualquer útil, desporto, uma conversa com um amigo. Em vez de injetar uma droga direito ao cérebro que vai dar uma motivação ou alívio químico.
  7. É épico. Ninguém faz esta maluqueira extrema ou muito poucas pessoas e isso motiva-me.
As vantagens podiam continuar... sei que o essencial é o álcool e em segundo lugar o tabaco. Entendo que a cafeína no meio disto - e não planeio ser 100% purista - parece destoar, mas eu noto mesmo que a cafeína me dá stress, ansiedade, pensamentos ruminantes, angústia. E que estando a consumir cafeína de forma inconsciente vou ter tendência para abusar dela Entendo que quem não vive um problema de tabaco e álcool não tenha razão para deixar o café, no meu caso faz parte de um trio.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Tive um relapso e lições

 Infelizmente ao chegar ao dia 53 tive um relapso, no dia 4 de fevereiro, durou 10 dias. Hoje (sábado) já fui a 2 supermercados comprar coisas, tive cravings intensos, mas já voltei para a casa sem álcool, só com heineken zero e comidas saudáveis. São 16h e é a minha hora crítica para comprar álcool, o momento mais complicado (entre as 16h e 18h)

Tenho de conseguir articular como é que me aconteceu. Estava numa série absolutamente fenomenal a nível de desporto. A treinar todos os dias de madrugada antes de trabalhar, a acordar às 4:00 se fosse preciso. A tocar piano religiosamente todos os dias e cada vez melhor. A minha vida sentimental a começar a ter novas oportunidades, dates. Até tive um primeiro almoço que correu muito bem e não bebi.

O relapso aconteceu a 1 dia de um date ser cancelado. Não era bem um date, íamos mesmo passar a noite juntos num hotel em Lisboa, depois de passearmos e jantar, ela não é de cá e supostamente vinha ter uma entrevista de emprego, mas depois afinal não pode vir (e acredito perfeitamente, não se "baldou"). O que é irónico é que eu já lhe tinha falado do meu problema e que não bebo. E que íamos ter o date e eu não ia beber, mas que ela podia à vontade. 

Mesmo assim sucedeu uma conjugação de coisas estranhas. Foi um dia sem minha filha. Estava a chover e muito escuro. Eram 17h da tarde quando senti o craving e foi logo a seguir a ela dizer que não vinha. 

É que na minha cabeça isso foi como um alívio. Senti-me feliz porque assim ia estar sozinho, sem filha, sem um date a quem disse que não bebia. E ao mesmo tempo ansioso com um serão "sem nada". É claro que em 53 dias tive muitos serões sem nada. Isto não veio do nada agora que penso nisso. Já estava a notar que era estranho ter ocasionais cravings já depois dos 30 dias. Isso não me costuma acontecer ou então agora estou mais consciente.

Penso que esteve ligado com um choque emocional inesperado. A minha ex-namorada, com quem até retomei contacto ocasional, desatou a por histórias no instagram a basicamente anunciar ao mundo que tinha um namorado novo. Não de forma óbvia. Fquei espantado por sentir uma reação tão violenta agora, um ano e meio depois de acabarmos (e quase todo o tempo sem contacto e nunca a voltei a ver). Talvez na minha cabeça tivesse esperança que voltassemos a namorar? Certamente não imaginava que estivesse toda casta à minha espera, mas foi mesmo levar com isso no feed que me fodeu. Mas prometi que não vou voltar a reagir bem a coisas tóxicas desse tipo. Isto é, ciúmes ou uma coisa assim. Agora tendo a afastar-me se me causam essa sensação.

Mesmo assim, não bebi, isto já foi há mais tempo, só que pode ter cologado as wheels in motion. Tive um comportamento mais problemático com café e com cigarros e acho que teve a ver. Comecei a beber uma quantidade gigante de café, tipo uns 5, 6 às vezes 7 e a fumar mais de um maço. Também comecei a ficar desligado do trabalho, menos alerta. 

Não ajudou o tempo. Não deve ser coincidência que Portugal tem sido massacrado por tempestades há mais de um mês. Treinei à chuva de madrugada no meio de tempestades bem intensas, até com granizo em cima.

Só que a engrenagem deve ter começado nessa altura com essa pancada emocional. Hoje resisti à vontade de comprar álcool e logo num dia de sol, o primeiro em semanas e semanas. 

Se conseguir não beber hoje, um relapso de 10 dias é muito curto para os meus padrões, costumam durar 1 a 3 meses. Mas foi um bem intenso e isso também é interessante. Aqui vamos falar de quantidades de álcool, talvez dedique antes um post só a isso e vai ser já seguir, mas avancei rapidamente para 3 garrafas de vinho por noite. Aconteceu-me algo que nunca me tinha acontecido a não ser há 30 anos na universidade: vomitei. Não vomitei depois de beber muito, bebi apenas 1 copo de vinho e tive de o vomitar logo. Foi absolutamente nojento. Depois prossegui a beber. Mas o meu corpo nos últimos 3-4 dias rejeitava literalmente o álcool, o sabor, o cheiro, uma repulsa gigante... 

Nunca senti isto desta forma, embora uma das minhas técnicas seja a de preferir vinho muito barato e mau para não sentir qualquer prazer, até chego a beber vinho branco quente. Isto é relevante, porque uma das razões pelas quais demorei tanto a tentar parar de beber desde que comecei, como explico num post abaixo, foi ter sido muito gradual depois de deixar de sair à noite. Isto é, deixei de apanhar grandes bebedeiras com bebidas brancas, começou com umas cervejas, depois 1 garrafa de vinho muito tempo, depois 1 de vinho e 1L de cerveja. E mesmo com essas quantidades, conseguia ser funcional. Já sei que me vão dizer que é imenso, eu sei que é e que estava abaixo do meu melhor, mas conseguia fazer maratonas, treinar, ter namoradas giras. Mesmo aí já tentava parar, mas depois passou para as 2 garrafas e 2 de vinho era mesmo o ponto de viragem. Nas 2 já não consigo treinar ao fim de uma ou duas semanas, estou demasiado desidratado, cansado, hipoglicémico, sem eletrólitos, enfim, uma merda completa, perco o apetite logo não como nada.

Nas 3 entramos na fase meltdown. Sei que 3 é mesmo o meu máximo. Já me aconteceu várias vezes ter 4 garrafas em casa, mas nunca toco na 4a garrafa e por vezes a 3a fica ainda com um fundo. Não é que "apague", até estou acordado. 

Tendo em conta a exigência do meu plano atual de treinos para a prova de 100 milhas, ao fim de 4 ou 5 dias (a meio) deixei de treinar. A minha coach perguntou-me se estava tudo bem. Avisou-me que se eu parar perco os ganhos que já fiz. Amanha tenho um treino de 3h na serra, muito exigente. Hoje consegui fazer as séries e o ciclismo, mas isso foi porque é um sábado e não tive de treinar às 4 ou 5 da manha como habitual. 

Sei que para fazer bem o treino amanha tenho de estar bem. Basta mesmo não beber 1 dia e no dia seguinte a diferença é colossal, mesmo que já saiba que a noite vai ser quase toda em branco. Também sei que na segunda feira tenho de levar a minha filha de madrugada a um autocarro para ela ir a um torneio a 300kms e não posso ir com os copos (se beber na noite anterior os meus níveis vão ainda estar bem acima do legal às 4 da manhã). São âncoras ou referências que obrigam a uma paragem porque o preço de não parar se torna demasiado elevado.


domingo, 25 de janeiro de 2026

Unfuck youtself

 Muita gente tem um cinismo exagerado vs. livros de autoajuda. Eu consumo muitos. Hoje em dia em formato audiobook, durante longas horas de treino de corrida ou condução. Considero que há um fenómeno parecido com o dos filmes de terror. A maior parte são maus, mas os bons valem a pena. Mesmo dentro dos livros que não são espectaculares, há algumas pérolas ou conceitos que acabam por ser úteis ou reveladores e não apenas a confirmação de bom senso que já tínhamos.

A série de livros Unfuck Yourself de Gary Bishop é um bom exemplo. Tem um conceito que achei algo revelador: a tendência para a autosabotagem quando tudo está a correr bem e como essa autosabotagem nasce de uma crença subconsciente de que não merecemos o que de bom está a acontecer. Um pessimismo que precisa de ser materializado.

Bishop não aborda de forma especializada o tema de drogas (que me lembre) mas penso que a teoria se aplica de forma muito directa ao meu padrão.

Estou saturado de ouvir coaches e experts de alcool constantemente a colocar a tónica nos traumas, nos maus acontecimentos da vida, nos problemas, nas depressões e por aí fora como causas de relapsos no consumo. O que observo em mim e em muitos outros é uma desconexão completa entre os dois e às vezes exatamente o oposto, como é o meu caso: bons momentos, a vida correr-me muito bem, situações felizes e sociais (estar com bons amigos), românticas (um primeiro date), sucesso no trabalho (um dia que correu muito bem) ou desporto (ex: acabar uma ultramaratona depois de meses de treino) são gatilhos muito mais fortes que maus acontecimentos. Sei que isto não é exclusivo de mim, já o escrevi aqui, mais pessoas que lidam com a droga álcool relatam o mesmo e destroem o cliché simplista de que se trata de "automedicação".

Numa primeira análise eu pensei - e ainda penso que é um factor - que nessas ocasiões ou sensação positiva há um factor de ânsia por amplificar a sensação boa e que o mereço. Isto resume-se a este diálogo mental: "mereces, estiveste bem, tens estado bem, está tudo bem, vamos festejar, tens tudo sobre controlo, olha para ti, you rock, qual é o problema de bebermos hoje e esta semana, depois páras de novo, agora aproveita o momento, saboreia"

Quando ouvi o Gary Bishop falar na questão da autosabotagem acendeu-se-me uma luz no tablier. Se admitir que não sou completamente estúpido, a nível racional e também subconsciente eu tenho de saber que se as coisas me estão a correr bem num ou vários domínios, beber álcool vai iniciar um ciclo de consumo diário e um retrocesso inevitável. Desta panóplia de circunstâncias apenas identifico os dates como a única situação em que a droga tem um benefício real (lamento, mas tem). Nas outras não tem. Mas mesmo na questão dos dates há o tema da autosabotagem. A verdade é que quando atravesso um período sóbrio a minha capacidade de atração se multiplica por 10. Nunca o consegui explicar inteiramente (podia falar de energias), mas pode ter a ver com a autoconfiança, o meu aspecto físico ou fazer mais coisas interessantes.

Em qualquer caso, é possível que esse impulso de consumir álcool quando tudo me está a correr pelo menos muito melhor do que quando bebo, se deva a eu não achar que mereço. Que tenho um ceticismo face ao bom. Um: "ok, eu consigo parar 2-3 meses, mas vá lá meu, achas mesmo que vais ser uma dessas pessoas que deixa de consumir álcool um ano? Ou para sempre?" Não sei se isto é um factor. Eu não o noto de forma consciente. Apenas penso que é credível que o seja. Apesar de ter vontade de melhorar em múltiplas áreas e até me considerar optimista, posso ter algures um fatalismo e falta de autoestima que me faz detonar as coisas que estão a correr bem.

Se nao tenho 100% de certeza disto ser um fator relevante, tenho a certeza que outro é o medo de perder a minha identidade. Se beber é um ritual diário durante décadas, é óbvio que se torna um sítio familiar. Deixar isso de vez, sem autosabotagem, significa algo desconhecido e potencialmente assustador. Esse factor eu tenho a certeza que tem impacto. Penso que os dois estão ligados. É um "tu sabes quem és, não és esta pessoa que deixa um vício para trás de vez, quem é que estás a enganar, eu e tu sabemos".

Talvez aí sim, resida a questão do "trauma de infância"? É indiferente em termos práticos. Mas é evidente que há algo de autosabotagem em que acabamos por fuck ourselves quando temos tudo na mão, como que para confirmar as nossas previsões mais pessimistas.



sábado, 17 de janeiro de 2026

Encontrar uma nova identidade

 Estava a fazer limpezas na casa, a arrumar tudo, lavar etc. com os meus podcasts habituais de recovery e decidi mudar para outras coisas focadas em ultramaratonas e treino. Isto lembrou-me um texto que já devo ter escrito numa versão anterior do blogue ou se não escrevi, pensei de certeza.

Um desafio gigante no caso específico do álcool é criar uma nova identidade pós-fase do vício, pós "recuperação". O álcool é uma droga muito lenta na maior parte dos casos, pode demorar décadas até ser um problema suficientemente grave para chegarmos ao ponto de ativamente tentar parar. Depois, no meu caso, segue-se o que é uma autêntica epopeia de sucessos e retrocessos. É uma luta titânica, um desafio. No meu caso durou mais de 10 anos pelas razões que já abordei, coisas como ser bom a "gerir" os danos e ter algumas red-lines como nunca comprar bebidas brancas para casa e manter-me em cerveja e vinho ou nunca beber de manhã e almoço em dias de trabalho.

Sim, lembro-me que já escrevi sobre isto, mas provavelmente em 2025 numa das paragens. Um problema é que esta luta interna e épica transforma-se numa nova identidade. Somos alguém que está a lutar e vencer um vício lixado. De uma forma um pouco perniciosa, é uma luta interessante. Claro que ser pai ou trabalhar são coisas mais importantes, mas um vício está a montante dessas coisas (alguém que tenha um vício grave não consegue ser bom pai ou trabalhar bem). É algo que é basilar. Se fossem fazer um filme da nossa história ou um livro, esse combate, tanto a fossa como as progressões, seriam mais interessantes do que eu ser pai ou trabalhar em que sou igual a outras pessoas.

Um apelo da abordagem falida do método dos AA envolve manter a identidade do álcoólico. Mesmo alguém que deixou álcool durante anos continua a ir a reuniões e a autodenominar-se como viciado. Isto para mim é estranhíssimo, mas a alternativa é complexa. Ao menos AA ancora a nova identidade num permanente purgatório.

Oiço conteúdos de ex-drinkers mas que se tornaram profissionais disso, coaches. E sendo muito úteis, também é um facto que são a outra face da moeda: continuam ligados à temática do álcool e até mais forte que um alcoólico, é a profissão deles. Não faço qualquer juízo e agradeço o trabalho que fazem, muitas vezes gratuito e de qualidade.

Um receio óbvio é o virar da página. E se o álcool deixasse de existir praticamente no plano de um ex-consumidor? Levar à letra o conselho do magistral Alan Carr e "get on with your life" com que ele acaba o livro sobre o tema? É complicado encontrar outro arco narrativo, outra "demanda" existencial tão interessante e apaixonante. Vejo isto nas comunidades online que frequento. Se as pessoas estão lá, muitas vezes a lamuriar-se ("hoje o dia foi difícil", "isto fica mais fácil?", "ainda pensei em beber mas resisti") é porque obviamente ainda estão conectadas.

Eu ainda estou a explorar. Para já o foco está a ser em ser o melhor ultramaratonista que consigo. Se que não é com a minha idade (meio século) que serei elite (nem quero). Não se trata disso. Na verdade não tenho grandes ambições excepto fazer grandes provas em sítios incríveis e hikes pelo mundo. De resto, quero progredir no emprego fazendo trabalho interessante, ter namorada fixe, educar filhos, pescar, tocar piano, enfim, coisas normais. Para mim o substituto penso que está nas ultramaratonas que já faço há 10 anos. Penso que é esse porque tem um elemento de aventura apaixonante. Ando a treinar todos os dias, às vezes 2x por dia. É um caminho de progresso muito longo, mas uma decisão agora tem um impacto radical no meu futuro e rotina.

Isto está a ser a minha âncora de substituição até ver. Mas a verdade é que não sei bem o que vou ser sem álcool e isso é algo que assusta um pouco. Beber todos os dias é um guião, um lugar confortável e familiar, mesmo que se sofra muito nos intervalos. E bebi toda a idade adulta. Por isso há aqui algo de mistério, de grande ponto de interrogação. Descobrir quem é que somos, afinal.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Reação à ideia de que se pode ser um "pós-alcoólico" e voltar a beber de vez em quando.

 Há um tipo de que gosto muito, o Kohdi Rayne, do programa Beyond Sober, tem um bom podcast com conteúdos bastante bons e que me ajudaram. Também vende programas de apoio etc mas que nunca frequentei.

Tal como face a todos os autores da esfera de métodos e princípios para deixar de beber, gosto de pensar no que diz e reagir com as minhas próprias ideias. Há coisas que diz que achei muito relevantes. Por exemplo, ele não se define como "sóbrio" porque sóbrio é estar entre bebidas. E tem razão. Serei eu "sóbrio" face a heroína? As pessoas que nunca beberam definem-se como "sóbrias"? Não. Se tomares a decisão de já não beber álcool, és só uma pessoa que não bebe álcool. Não nos definimos por não consumir drogas que não consumimos. Isto está no espírito do "beyond sober" porque se trata de uma nova identidade e não de uma luta permanente como o espírito (que também acho péssimo) dos AA e que o Kohdi critica muito. Em que se assume que queremos beber mas infelizmente não podemos e por aí fora.

Dito isto tudo que é demasiado resumido, ainda ontem ouvi outro podcast dele em que vem outra vez com a conversa da diferença entre um recovering alcoholic e um ex-alcoholic. Um recovering é o arquétipo do tipo dos AA, podem passar 10 anos, 20 e ele continua identificado como alguém que não pode beber. O ex-alcoholic é alguém que já não bebe e não quer, é passado.

Mas aqui está sempre a introduzir a ideia peregrina de que o estado máximo de libertação é poder beber e ter um buzz e não ficar viciado porque já não se quer beber.

Isto é algo que já pensei no passado, mas que acho que está profundamente errado. E que só contemplo com possível no discurso do Kohdi porque ele vende cursos. E vende mais dizer a alguém com vício de álcool que no fim da estrada está uma vida em que se ele quiser pode beber de vez em quando, visto que vai quebrar o vício e a dependência.

Isto é o mesmo princípio que fez o Alan Carr chamar ao livro de deixar de beber "the easy way to control alcohol", mesmo que depois na prática ele diga que não se pode beber nunca mais. Contudo, ele admite o artifício e diz que o livro fosse "the easy way to quit alcohol" (igual ao do tabaco) ninguém comprava o livro porque as pessoas com problemas com álcool detestam pensar que nunca mais podem beber.

Mesmo assim, acho que é uma ideia algo irresponsável e má da parte do Kodhi... Eu cheguei onde estou e custa-me perceber como é que um gajo que não bebe álcool nenhum ele próprio, depois de passar por uma vida de colapso do fígado e hospitalização após anos a beber 1,5L de vodka por dia, pode vender a ideia que ao fim do túnel está a possiblidade de beber como pessoas "normais" e apanhar um buzz. Eu aposto na boa como se o próprio Kodhi beber 2 shots de vodka, vai acabar a mamar 1,5 L de vodka em dias. Ele não o faz, não pratica o que prega (e ainda bem), mas devia pregar mais o que pratica.

Em nenhum discurso dele admite "não posso beber, se beber resvalo para o vício outra vez". Dá o ar que transcendeu o álcool e simplesmente não quer beber. E eu acho bem. Só acho mal é dizer que outra pessoa se quiser (e comprar o curso dele) pode beber de vez em quando se é isso que quer quando o próprio sabe que se fodia todo se fosse beber um par de shots.

Penso que já o devo ter escrito várias vezes nos poucos posts que este blogue tem: o álcool é uma substância química viciante que é bomba nuclear no cérebro. Não são 10 mil horas de podcasts e meditação ou terapia ou autoreflexão que mudam isso.

Se alguém consumiu heroína anos e anos e deixa heroínha, isso não significa que agora possa usar heroína de forma recreacional e ocasional. Isto é brutalmente intuitivo no caso de drogas como heroína ou coca, mas no caso do álcool parece que não. Mesmo que o consumo de álcool se arraste décadas e nessas décadas seja construída uma mother board no cérebro que vai acender como uma árvore de natal se sentir álcool, nem que sejam anos depois, há artistas do meio que falam do álcool como se não fosse uma droga inerentemente viciante.

Não tem nada a ver com um lado racional e elevação do espírito, superação, teologia, filosofia... É químico, biológico. Impossível de vender e contrariar, digo eu.

Mesmo na parte racional, há algo profundamente contra-intuitivo. Se alguém transcende o álcool (algo que ainda nunca consegui fazer) isso significa que percebeu que não o quer consumir nunca. Ora, se abre uma excepção... está a admitir que afinal vê benefícios e um lugar para o álcool na sua vida. Não há meio termo. Eu no limite até consegui "moderar" 1 ou 2 semanas depois de voltar a beber. Mas sem falha, voltei sempre a cair num consumo pesado diário. E percebi ao ouvir pessoal que esteve anos sem beber e voltou a cair, que podem passar anos e é igual. É a puta da droga em si, ponto. Cheguei a uma fase anterior em que eu já sabia que se bebesse ia voltar a um ciclo. Mas na altura sabia que quando as coisas ficassem más eventualmente parava para um período de abstinência como o meu actual. O problema é que sempre que estava num ciclo mau ele arrastava-se demasiado tempo. Em vez de um simples fim de semana deprimente a beber, eram 2 meses. Percebi que só consigo ter uma motivação real para parar quando a "dor" ou o "sofrimento" atingem um nível tal que o medo que geram me força a escolher parar. Enquanto for gerível, não vou parar. Nem eu nem ninguém. É por isso que um tipo que consiga por uns tempos beber só um pouco ao sábado, vai aos poucos também resvalar para mais e mais e mais... não vai decidir parar do nada visto que uns copos num sábado não lhe causam desconforto suficiente

Eu não tenho opiniões positivas sobre heroína, pelo contrário, nunca sequer fantasiei em experimentar. Mas o que acham que acontecia se eu começasse a experimentar heroína regularmente. Só um bocadinho aos fins de semana, socialmente? Enfim, isto parece-me muito simples. Que me digam "olha deixaste de beber 6 meses, podes beber hoje, sabes que vais acabar viciado outra vez e passar pelo processo todo outra vez e vai ser uma merda, mas tu é que sabes", isso é mais honesto e realista. Não gosto de vendedores de banha da cobra.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Dia 30 - resumo dos efeitos e ponto de situação

 Não tenho vindo aqui, queria só anotar rapidamente algumas transformações de 30 dias sem álcool.

  1. Sinto-me muito melhor em geral. Acordo com mil vezes menos ansiedade, mais energia.
  2. Treinos muito mais fáceis e recuperação mais rápida. Estou a treinar muito e a sentir-me cansado, mas a notar progressos.
  3. No plano "amoroso", acho que foi coincidência, mas tive uma coisa particularmente forte. Se o início pode ter sido mera coincidência temporal, penso que a evolução do caso se deveu a estar 100% lúcido, mais consciente, menos ansioso etc. Não me alongo nesses tópicos porque não é o propósito do blogue, mas ocorreu-me que talvez estar mais confiante passe logo desde início em chats.
  4. Durmo uma noite e só acordo 1 vez, geralmente ao fim de 4-5 horas, depois adormeço, ando pelas 7. Indicadores de sono medidos pelo relógio garmin melhoraram muito.
  5. Taxa cardíaca de repouso e níveis de stress colapsaram.
  6. Comecei a socializar. Todos os fins de semana tenho combinado coisas. Isto é uma mudança radical que nem me apercebo bem. Por um lado sinto mais a solidão ou tédio, vs quando bebia, mas por outro faz-me resolver isso a combinar algo concreto em vez de ficar por casa.
  7. Trabalho a correr bem, autoconfiança a disparar. Sinto-me mais em controlo.
  8. Estou a começar na velocidade de cruzeiro com menos cravings, os físicos desapareceram.
  9. Recomecei a pescar regularmente e até apanhei um belo robalo.

O que não mudou:
  1. Não consegui deixar de fumar e às vezes bebo demasiados cafés (4-5). 
  2. Certas coisas que faço aparentemente são mesmo minhas. Por exemplo, escrevo certos e-mails de trabalho mais criativos e assertivos ou mensagens mais impulsivas e antes atribuía isso a estar meio tocado ou com a ressaca. Não é que seja mau, mas imaginava-me a ficar mais moderado e lacónico. Acho que quem consome álcool regularmente num espaço semi-funcional pode ficar convencido que certos atributos ou comportamentos são do álcool. Um exemplo: a beber podia adormecer a meio de um episódio dos Sopranos às 21:00. Mas sem beber também adormeço por essa hora. E mais ainda, o sono torna-se muito poderoso, tenho de me arrastar para a cama.
  3. Tive cravings fulminantes a semana passada, psicológicos. Regressei ao trabalho, dias intensos e deu-me o clássico craving a vir de carro cerca das 17h, a hora crítica, em que ponderei seriamente beber porque podia, não tinha ninguém em casa e tinha despachado o trabalho, estava feliz, mensagens de uma babe a pingar no whatsapp. Isto deixou-me um pouco desnorteado. Fiz o truque de play the tape forward. Ajudou muito estar entretido com piano ao serão, ter treinos no dia seguinte num chat febril com a tal pessoa - nao queria estar com os copos e entrar nesse chat sem total consciência.
  4. Continuo quase com o mesmo peso, não entendo bem porquê. Perdi 1.5kg (de 83 para 81.5) mas ainda longe do meu peso de corredor de 77kg, isto a treinar todos os dias. Se calhar ando a comer demasiados snacks feito guloso?
Continuo com vontade de continuar, mas há dias mais complicados, especialmente nas oscilações entre ter a minha filha e não ter, entre ter algo combinado e ser desmarcado ou entre ter muito trabalho e um alívio. Os momentos de descompressão - positivos - e estar sozinho depois de não estar criam quase sempre uma voz que diz "vá lá, já passaram xis dias, bebes hoje e amanhã, depois páras".

sábado, 3 de janeiro de 2026

"eu nunca bebo em casa sozinho, só bebo quando saio e passo dias sem beber" - socializar como camuflagem para manter um vício

 As pessoas que moderam por exemplo nas ocasiões (podem não beber alguns dias de seguida) são as mesmas que de vez em quando lhe dão bem, num casamento, jantar, festa, saída social, podem beber até ficarem com os copos ou um ligeiro buzz e no dia seguinte mega ressaca e ansiedade.

 Uma amiga próxima perguntou-me "então não bebes?" numa ocasião recente muito propícia a beber (em 8 pessoas, todas bebiam excepto eu). Disse-lhe que não. Ela insistiu em saber porquê e eu expliquei que até podia beber 1 copo ou 2 apenas sem problemas, mas já sei que dentro de 1 semana estou a beber demasiado todos os dias (já perdi a vergonha de dizer estas coisas a seja quem for, embora ainda tenha reservas em dizer quanto bebia diariamente).

Ela disse "eu nunca bebo em casa sozinha" como que a justificar-se. Eu não fiz qualquer comentário sobre ela, apenas falei de mim e admiti que na minha idade já não consigo ter um consumo dito moderado. E faz bem. É bom ter essas red lines como eu tinha a de nunca beber antes ou durante dias de trabalho ou não tocar em bebidas brancas etc. Embora sublinhe que essas redlines também têm o efeito de prolongar a zona cinzenta de que falo no post anterior e podermos ficar num limbo de dependência anos a fio. Também sei que ter essas redlines é igualmente um sinal de que o nosso consumo está a ser "travado" e fazemos um esforço consciente para não beber mais e sabemos que demais é demais. Começamos a colocar regras.

Eu já percebi há algum tempo que ela tem um problema: sempre que sai à noite - e sai todas as semanas - apanha uma valente carraspana e tem grande tolerância. Já saí com ela sóbrio e vi-a beber. Em 3h bebeu 2L de cervejas (o que é muito para uma mulher de baixa estatura) e depois bebeu mais cervejas a noite toda com grandes custos como ter de ir ao WC (era um concerto de rock) constantemente assim como para fazer fila para buscar mais uma cerveja.

E já percebi que uma das razões porque sai tanto e socializa tanto é porque precisa de beber. Já fui assim até fazer corta-mato e simplesmente beber em casa em segurança e mais barato. O mesmo vinho de 4 euros no supermercado pode custar 20 num restaurante. Uma cerveja também custa 3-4x mais num bar. Reparem que para alguém como ela quando chega a uma sexta ficar em casa significa sobriedade (ainda). Se tem privação vai ligar o sair com pessoas para um restaurante ou bar qualquer a poder consumir álcool. Para já, não é consciente. Ela tem cerca de 33 anos ainda, mas tem um estilo de vida parecido com alguém universitário. Pensa que o que a move para arranjar companhia é a companhia, mas isso é indissociável de ser a ocasião em que pode beber à vontade. E penso que uma parte dessa obsessão por ter sempre jantaradas, copos e festas aos fins de semana deriva do efeito do álcool. Não haja ilusões: a dopamina libertada por duas cervejas é dezenas de ordens de magnitude superior a qualquer estímulo natural como socializar. E a dopamina move a nossa motivação.

Conheço mais pessoas assim. Um amigo próximo que insistia em sair comigo para o Bairro Alto mesmo tendo já mais de 40 anos. Casado, não podia beber a sério em casa. Por isso regularmente combinava coisas para "sair". Depois da covid-19 começou a beber em casa e já se deixou do Bairro Alto. Há mais exemplos. Não estou a julgar porque eu fui e sou pior que todos estes amigos, acelerei o processo pelo qual estão a passar. Só vejo através das tangas que dizemos a nós próprios.

O passo seguinte ou presente que vão tentar é deixar de beber xis tempo como falo no post dry january. Eventualmente vão ter ocasiões em que o excesso e os efeitos se tornam demasiado evidentes. Por exemplo, chegam a uma sexta e não têm nenhum plano social. E pimbas, abrem a excepção de fazer uma festa para eles próprios em casa com uns vinhos ou cervejas ou whiskies. Internamente podem ter o mesmo discurso que eu tinha: "bem, é sexta, mereço, foi uma semana difícil" etc.

O caminho vai ser sempre o mesmo, apenas varia a velocidade. Estes padrões são visíveis à nossa volta O clássico do café local onde os homens bebem juntos todos os dias. O grupo de amigos que tem o ritual de uma almoçarada ou jantarada uma vez por semana, bem regada. O grupo de amigos como o que eu tive em que sempre que nos encontrávamos era para beber pesado a noite toda. Os colegas de trabalho que bebem um jarro de tinto ao almoço. 

A redline do não beber sozinho é de facto talvez uma das mais importantes. Passar essa redline abre mesmo as portas a um consumo muito mais ilimitado: não há juizo social, ninguém sabe. A questão que um consumidor 100% social deve colocar-se a si próprio é: seria capaz de sair à noite e socializar com os tais amigos sem consumir álcool? Ou para isso preferia ficar em casa? Se lhe dessem duas opções: sair à noite 100% sóbrio ou ficar em casa num sábado à noite, qual preferia? 

Deixar álcool, nicotina e caféina ao mesmo tempo - vantagens

Não encontro conteúdos relevantes no youtube sobre esta experiência. Destas 3 drogas a que destoa é a cafeína, visto que mesmo ex-dependente...